A. ASPECTOS TEOLÓGICOS
113. O sacramento da Eucaristia faz parte da iniciação cristã. Pela
Comunhão eucarística, aqueles que foram salvos em Cristo pelo
Batismo e a Ele mais profundamente configurados pela Confirmação
participam com toda a comunidade do sacrifício do Senhor
(cf. Catecismo da Igreja Católica, 1332; PO 5b).
114. Jesus instituiu a Eucaristia (Jo 6,51.54- 56) na última ceia,
com
seus discípulos, antes de se oferecer em sacrifício ao Pai, como
memorial de sua morte e ressurreição, e ordenou que os seus a
celebrassem até a sua volta (Mt 26,17-29; Mc 14, 12-25; Lc 22,7-
20; 1 Cor 11,23-27), constituindo-os sacerdotes do Novo Testamento
(cf. Catecismo da Igreja Católica, 1337).
115. De fato, “na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o
pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo,
que é para vós; fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo,
após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova
aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o
em memória de mim’. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão
e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele
venha” (1Cor 11,23-26).
116. A Eucaristia, ação de graças (Lc 22,19), é também conhecida
como
ceia do Senhor (1Cor 11,20), fração do pão (At 2,42.46; 20,7.11),
assembleia eucarística (1Cor 11,17-34), memorial da paixão e da
ressurreição do Senhor (Lc 22,19), santo sacrifício, sacrifício de
louvor (Hb 13,15), sacrifício espiritual (1Pd 2,5), sacrifício puro
e
santo (Ml 1,11), santo sacrifício da missa, Santíssimo Sacramento,
Comunhão, santa missa (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1328-
1330).
117. A Igreja chama de “transubstanciação” a mudança de toda a
substância
do pão na substância do corpo de Cristo Nosso Senhor e de
toda a substância do vinho na substância do seu sangue (cf.
Catecismo
da Igreja Católica, 1374-1376). O Santíssimo Sacramento
da Eucaristia contém verdadeiramente, realmente e substancialmente
o corpo e o sangue, juntamente com a alma e a divindade
de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, Cristo inteiro. “A Eucaristia
é a presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu
alimento espiritual (...); é dom por excelência, porque dom dele
mesmo, da sua pessoa na humanidade sagrada, e também de sua
obra de salvação” (EE 9.11).
118. Pelo sacrifício eucarístico de seu corpo e sangue, o Senhor
“perpetua
pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando
assim à Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e
ressurreição:
sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de
caridade, banquete pascal, em que o Cristo nos é comunicado em
alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da
futura glória” (Sacrosanctum Concilium, 47).
119. “O sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do
Senhor,
em que se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz, é o
ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é
significada,
e se realiza a unidade de todo o povo de Deus, e se completa
a construção do corpo de Cristo (cân. 897 CIC). “Os demais
sacramentos,
como, aliás, todos os ministérios eclesiásticos e tarefas
apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam, pois
a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a
saber, o próprio Cristo, nossa páscoa e pão vivo, dando vida aos
homens, através de sua carne vivificada e vivificante pelo Espírito
Santo” (PO 5b; cân. 897 CIC).
120. Na Eucaristia, Cristo une sua Igreja e todos os seus membros ao
sacrifício de louvor e de ação de graças que, de uma vez por todas,
ofereceu na cruz ao Pai; por este sacrifício, derrama sobre a Igreja
as graças da salvação.
121. A Eucaristia impele a participar na missão de Cristo: anunciar
a
boa nova da salvação, denunciar o pecado, estar a serviço do reino.
B. ORIENTAÇÕES PASTORAIS
Quem pode receber a Eucaristia?
122. A Igreja, em obediência à ordem de Jesus, recomenda vivamente
aos fiéis que participem da Ceia do Senhor, memorial de sua morte
e ressurreição. Devem os fiéis ser orientados e preparados a
receberem
o pão eucarístico toda vez que participam da celebração
da Eucaristia. Mas existe a obrigação de comungar pelo menos
uma vez por ano, no tempo pascal (cf. cân. 920, §§1e 2 CIC).
123. Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser
admitido
à Ceia do Senhor e participar da mesa da sagrada Comunhão
(cf. cân. 912 CIC).
124. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve
comungar sem antes receber a absolvição no sacramento da Penitência
(cf. Catecismo da Igreja Católica, 1415; cf. cân. 916 CIC).
125. Não podem receber a Eucaristia pessoas sob excomunhão,
interdição
e persistência em pecado grave manifesto (cf. cân. 915 CIC).
126. Os que vivem em uniões irregulares e os divorciados que
contraíram
nova união não podem ser absolvidos e não podem receber
a Comunhão eucarística (Familiaris Consortio, 84; Reconciliatio et
Paenitentia, 34; Catecismo da Igreja Católica, 1650). São membros
amados da Igreja e dela participam com limites; por isso são
vivamente encorajados a procurar o quanto antes a sua paróquia
para serem acompanhados pelo pároco, que deve recebê-los com
paterna afeição. Fruto desse acompanhamento pode ser a busca
da Câmara Eclesiástica ou do Tribunal Eclesiástico, em vista de
orientações e possíveis encaminhamentos. (cf AL 241-246). Casos
particulares devem ser resolvidos conforme orientações da Exortação
Apostólica Amoris Laetitia (247-252).
127. Quem vai receber a Eucaristia deve abster-se de alimentos e
bebidas,
exceto água e remédio, ao menos uma hora antes da Comunhão
(cf. cân. 919, §1 CIC).
I. Sacerdotes que celebram mais de uma missa no mesmo dia
podem tomar algum alimento antes da segunda ou terceira
celebração, mesmo sem intervalo de uma hora (cf. cân. 919,
§2 CIC).
II. Pessoas idosas e enfermas e as que cuidam delas podem comungar,
mesmo sem estarem em jejum por uma hora (cf. cân.
919, §3 CIC).
Administração da Eucaristia a crianças
128. Para que recebam a Eucaristia, as crianças devem ter suficiente
conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que possam
compreender o mistério de Cristo, de acordo com sua capacidade,
e receber o corpo do Senhor com fé e devoção (cf. cân. 913,
§1 CIC).
129. Contudo, em perigo de morte, pode-se dar a sagrada Comunhão
a crianças que saibam discernir o Corpo de Cristo do alimento comum
e reverenciar a santíssima Eucaristia (cf. cân. 913, §2 CIC).
130. Como regra geral, a Eucaristia pode ser administrada a crianças
a
partir dos 7 (sete) anos de idade, levando em conta o processo de
sua preparação, conforme diretrizes da catequese.
131. Antes de receberem a Eucaristia, as crianças confessarão
individualmente.
Para que o primeiro contato com o confessor seja
realizado em clima de confiança, o confessor deverá encontrar o
tempo necessário para acolher e escutar cada criança. É recomendável
que se faça uma celebração para dar ênfase a este momento
de reconciliação, cujo sentido profundo se encontra na morte e
ressurreição do Senhor (cf. Ritual da Penitência).
Preparação das crianças para a Eucaristia
132. É responsabilidade do pároco evitar que recebam a Eucaristia
crianças que não estiverem devidamente preparadas e dispostas
(cf. cân. 914 CIC). Os párocos, enquanto educadores da fé (PO, 6),
não descuidarão de uma atividade catequética bem estruturada e
bem orientada (CT, 65). Cuidarão da escolha de catequistas
preparados
e de sua formação permanente.
133. A preparação também deve envolver os pais ou responsáveis e a
própria comunidade.
134. As crianças que se preparam para a Eucaristia deverão receber
também uma sólida formação para o sacramento da Reconciliação.
Objetivos e metodologia
135. A catequese da Eucaristia não tem apenas a finalidade
sacramental,
mas um processo contínuo de vida cristã. Por isso, ela deve
focalizar a atenção das comunidades no processo catequético, e
não só na recepção do sacramento, ou na “primeira Eucaristia”.
Mais do que preparar para a “primeira” Eucaristia, esta catequese
prepara para a vida eucarística, a fim de que, “reunidos pelo
Espírito
num só corpo, nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo”,
para o louvor da glória de Deus (Oração Eucarística IV).
136. A catequese da Eucaristia destina-se a introduzir as crianças
de
modo orgânico no mistério da Páscoa, na ceia eucarística e na
vida da Igreja, proporcionando-lhes uma preparação imediata
para a celebração dos sacramentos (cf. CT 37). Para isto, deve:
a. Utilizar as modernas orientações da pedagogia, nas quais a
criança é sujejto do processo formativo.
b. Usar linguagem acessível às crianças.
c. Partir dos textos bíblicos, das celebrações litúrgicas e da vida
da criança, segundo sua própria psicologia.
d. Utilizar recursos didáticos apropriados para explicitar a fé,
com destaque para a união entre fé, vida e celebração.
e. Apresentar Jesus Cristo como o “pão vivo, descido do céu”,
aquele que mata a fome do sentido da vida.
f. Mostrar o sentido e a dimensão vital dos sacramentos,
especialmente
da Eucaristia, para a vida cristã.
g. Comunicar às crianças a alegria de serem testemunhas de
Cristo no meio em que vivem (cf. CT 37).
h. Introduzir as crianças na preparação e na participação das
liturgias
da comunidade. Organizar atividades que motivem a
inserção na vida da Igreja.
i. Estimular o gosto pela oração individual e comunitária.
j. Proporcionar às crianças atividades de partilha junto aos menos
favorecidos na comunidade, para que elas possam aprender
a partilha com os mais pobres.
Tempo e local da preparação
137. A catequese de preparação das crianças à Eucaristia terá, em
princípio,
a duração de dois anos. Cada diocese, no entanto, segundo
seu critério, poderá realizá-la em um tempo diverso. Insista-se na
catequese de perseverança.
138. A preparação deverá ser feita, como regra geral, na paróquia ou
comunidade em que os pais participam. Poderá realizar-se em
colégios e centros comunitários, desde que esta preparação seja
reconhecida pelo bispo diocesano e atenda às orientações da diocese,
quanto ao tempo de duração e ao conteúdo, em comunhão
com a paróquia local.
139. Em caso de catequese feita em colégio ou outro local
autorizado,
cuide-se que a criança seja inserida na comunidade paroquial a
que pertence. Os catequistas, nesses casos, estejam inseridos na
vida eclesial, com vínculo paroquial.
Conteúdo mínimo
140. Devem ser parte da catequese mínima para a primeira eucarística
os temas seguintes:
I. A Revelação - O mistério de Deus na história e na vida humana
a. Deus se relaciona com o ser humano
b. Deus se revela: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, a Santíssima
Trindade
c. Deus cria com amor: criação de todas as coisas e criação do
ser humano à imagem e semelhança de Deus.
d. Deus faz aliança: Abraão: pai de um povo que tem fé / Isaac /
Esaú / Jacó / Noé: prefiguração da salvação pelo Batismo. /
Moisés: o povo de Deus peregrino. / Êxodo: o alimento do céu
(maná), a aliança, a Páscoa.
e. Os Mandamentos, caminhos para a felicidade.
f. Deus age com misericórdia em Jesus Cristo
g. Deus continua com seu povo: o Espírito Santo
II. A Nova Aliança em Jesus Cristo
h. Encarnação do Verbo de Deus.
i. A mãe de Jesus.
j. A infância de Jesus.
k. O Batismo: início da missão de Jesus.
l. Jesus forma um grupo: os Apóstolos.
m. Jesus nos ensina a repartir (Mt 14, 13-21 e Jo 6).
n. As parábolas: Jesus fala do reino de Deus; o bom samaritano
– amor aos irmãos.
o. Morte e ressurreição de Jesus. Deus tanto amou o mundo que
lhe entregou o seu Filho unigênito.
III. A Ceia Pascal e a celebração da Santa Missa
p. A Ceia Pascal do Antigo Testamento.
q. Instituição da Eucaristia (Mt 26, 26-29 e Lc 22, 7-23).
r. A Santa Missa: mesa da palavra e mesa eucarística.
s. Os tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e
Tempo Comum.
IV. O Mistério da Igreja – Jesus continua presente e atuante na
história.
a. Jesus, fundador da Igreja.
b. A Igreja é o povo de Deus. A organização da Igreja.
c. A identidade missionária da Igreja.
d. Visão geral sobre os sete sacramentos.
V. Oração pessoal e comunitária dos cristãos
e. As principais orações da Igreja.
f. Participação nas liturgias dominicais.
g. Preparação e execução de momentos litúrgicos com os
catequizandos.
VI. A reconciliação com Deus e os irmãos.
h. O pecado e a misericórdia de Deus - o que é o pecado? Por
que ele nos afasta de Deus? Deus quer estar sempre conosco,
por isso nos perdoa.
i. Jesus, amigo dos pecadores (Mateus 11,19); o filho pródigo
(Lc 15,11-32); Zaqueu (Lc 19,1-10); a pecadora (Mt 26,6-13);
quer que todos se salvem.
j. Reconciliação com a comunidade (Mt 5,23-24 e 18,15-22).
k. Passos para a Confissão sacramental: exame de consciência,
arrependimento, acusação dos pecados ao sacerdote, propósito,
penitência e absolvição.
A celebração da Primeira Eucaristia
141. A primeira Eucaristia deve ser celebrada com simplicidade. É
recomendável:
a. O uso de vestes simples e dignas, que respeitem a santidade
do sacramento.
b. Que a paróquia adote para a cerimônia um traje padronizado,
ao alcance de todos.
142. Os pais participem da preparação e da celebração, conforme a
programação da paróquia.
143. Compete ao pároco e à equipe de catequese, com bom senso e
caridade pastoral, apresentar soluções para as dificuldades de
crianças cujos pais estejam em situação irregular, ou que não
frequentem
a Igreja.
Catequese de perseverança
144. Após a recepção da primeira Eucaristia, as crianças continuem a
catequese em grupos de perseverança, participem da vida litúrgica
e das atividades paroquiais de forma a permanecer na vida
cristã em vista da preparação para a Confirmação ou crisma.
Preparação dos adultos para a primeira Eucaristia
145. É dever da comunidade abrir espaço à formação específica para
a primeira Eucaristia de adultos, de acordo com as condições e
possibilidades de cada um.
146. É recomendável inserir a preparação dos adultos para a
Eucaristia
no curso do Ano Litúrgico , conforme o Ritual de Iniciação Cristã
de Adultos - RICA).
147. Os adultos que se preparam para a primeira Eucaristia devem
participar
da comunidade e receber uma catequese própria, para que
possam:
a. Perceber o chamado de Deus na sua vida e, assim, fazer a ligação
entre fé e vida;
b. “Recordar o acontecimento supremo de toda a história da
salvação, com o qual os fiéis se unem pela fé, isto é, a Encarnação,
Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo (Diretório Catequético
Geral, 44);
c. “Entender como o mistério salvífico de Cristo, através do
Espírito
Santo e do ministério da Igreja, atua hoje e em todos
os tempos, levando-os a reconhecer seus deveres para com
Deus, consigo mesmos e com o próximo” (Diretório Catequético
Geral, 44);
d. “Dispor os corações para a esperança na vida futura (...), que
permite julgar corretamente os valores humanos e terrenos
nas suas justas proporções, sem contudo desprezá-los como
inúteis” (Diretório Catequético Geral, 44);
e. Compreender que são convidados a participar com toda a humanidade
na construção de uma sociedade humana melhor
(Diretório Catequético Geral, 29; GS 39,40-43);
f. Ter “uma participação ativa, consciente, autêntica na liturgia
da Igreja” e ser educados “para a oração, a ação de graças,
a penitência, o sentido comunitário, uma compreensão adequada
dos símbolos...” (Diretório Catequético Geral, 25).
g. Tara a preparação dos adultos à Eucaristia, o roteiro dos
conteúdos
deve levar em conta os memos conteúdos apresentados
às crianças (ver acima).
LITURGIA DA EUCARISTIA
Orientações Litúrgicas para a celebração da Eucaristia
148. “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um
único
sacrifício. A missa torna presente o sacrifício da cruz; não é
outro,
nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial,
de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se
atualiza incessantemente no tempo” (EE 12).
149. O povo cristão tem direito à celebração da Eucaristia no
domingo,
Dia da Ressurreição, Dia do Senhor, como também nas festas de
preceito e, quanto possível, diariamente.
150. Se por falta de ministro ordenado ou por outra grave causa, a
participação
na celebração eucarística se tornar impossível, o pároco
deve providenciar, segundo as possibilidades, uma celebração da
palavra para tal comunidade no domingo (cf. IRS 164-165).
151. “Sendo a paróquia uma ‘comunidade eucarística’, é normal que se
juntem, nas missas dominicais, os grupos, movimentos, associações
e comunidades menores que a integram. É por isso que, no
Domingo, dia da assembleia, não se devem favorecer as missas de
pequenos grupos” (DD 36).
Ritos iniciais
152. A comunidade seja instruída para saber que constitui o corpo
místico
de Cristo, a Igreja, desde o momento em que se reúne no espaço
celebrativo. Para tanto, seja criada uma atitude comunitária
de oração. É de todo recomendado que se observe um silêncio
orante na igreja antes do início da Missa.
Liturgia da palavra
153. Na liturgia da palavra, Deus fala a seu povo; é Cristo que fala
à
sua Igreja. Por essa razão, “não é permitido omitir ou substituir
por iniciativa própria as leituras bíblicas prescritas, nem o salmo
responsorial” (IRS 62).
154. As leituras da palavra, do salmo responsorial e da aclamação ao
evangelho sejam feitas no ambão, diretamente do lecionário.
155. Nas missas dominicais e solenes, recomenda-se o uso do
Evangeliário
para a proclamação solene do Evangelho, sendo o mesmo
introduzido na missa na procissão de entrada. (IGMR 44, 117).
A homilia
156. Em circunstâncias particulares, poderão os fiéis leigos fazer a
partilha
da palavra, fora da missa, numa igreja ou capela, conforme
orientações do Doc. 52 da CNBB. Isto se dará somente na falta
de ministros sagrados ordenados e não se transformará, de caso
excepcional, em fato corriqueiro. A licença para isso, ad actum,
compete ao ordinário do lugar e não aos sacerdotes ou diáconos
(cf. IRS 161). Na missa dominical, nunca falte a homilia do
presidente
da celebração.
Liturgia eucarística
157. “Sejam utilizadas somente as orações eucarísticas encontradas
no
Missal Romano ou legitimamente aprovadas pela Sé Apostólica,
segundo os modos e os termos por ela definidos” (IRS 51).
158. A oração eucarística é uma grande oração de louvor ao Pai, por
Cristo, com Cristo e em Cristo, na graça do Espírito Santo. Por
isso,
a consagração não pode ser interrompida por cantos de adoração,
procissões com o Santíssimo, nem seguida de qualquer canto que
não seja a resposta à exclamação: “Mistério da fé.” Sejam utilizadas
apenas as respostas previstas no Missal (cf. CNBB, Doc. 53 -
Orientações para a RCC).
O Pai Nosso
159. A oração do Pai Nosso, se for cantada, não deve alterar o texto
liturgico
nem ser substituída por outro canto, mas feita no original.
O mesmo se diga do Glória, do Creio, do Santo e do Cordeiro de
Deus.
A Comunhão nas duas espécies
160. A distribuição da Comunhão nas duas espécies exige um cuidado
especial, conforme as circunstâncias locais. Para este assunto,
seguir as orientações do Diretório Litúrgico da CNBB e da Instrução
Geral sobre o Missal Romano. De toda maneira, é recomendado
entregar diretamente na boca a hóstia molhada no vinho
consagrado. Quem preside, também deve distribuir a Eucaristia
aos fiéis. As espécies eucarísticas (vinho consagrado) devem ser
consumidas no altar e nunca na credência.
Distribuição da Comunhão aos fiéis
161. Quanto à Comunhão, “é preferível que os fiéis possam recebê-la
com hóstias consagradas na mesma missa” (cf. IRS 89).
162. “O fiel leigo, que já recebeu a Eucaristia, pode recebê-la
novamente
no mesmo dia somente na celebração eucarística em que
participa” (IRS 95), salvo prescrição do cân. 921, §2 CIC.
163. Recomenda-se especial atenção para que o comungante consuma
a hóstia diante do ministro, de tal modo que ninguém se afaste
levando
na mão as espécies eucarísticas. A Comunhão do corpo do
Senhor na Missa é alimento para a caminhada do povo peregrino,
e não momento de adoração.
164. O fiel tem direito de escolher o modo de receber a Comunhão: na
boca ou na mão, de joelhos ou em pé. Não se trata de uma decisão
do ministro que distribui a Eucaristia (cf. RS n.92). “Quando
a Comunhão é dada somente na espécie do pão, deve-se orientar
previamente os fiéis para escolherem a maneira de comungar.
Quando o comungante recebe a Comunhão sobre suas mãos
abertas sobrepostas e comunga com toda piedade diante do ministro,
de tal modo que ninguém se afaste levando na mão as espécies
eucarísticas”. (Cf. IGMR 161 e 162).
165. A matéria para a celebração da Eucaristia é o pão de trigo e
vinho
de uva sem mistura (cf. cân. 924 §2, §3 CIC; IGMR 319-324).
Também o pão com teor baixo de glúten é matéria válida. A Comunhão
para celíacos deve ser feita sob a espécie do vinho; a Comunhão
para alcóolicos faça-se com o mosto de uva.
A purificação dos vasos sagrados
166. A purificação dos vasos sagrados deve ser feita pelo sacerdote
ou
diácono logo após a distribuição da Comunhão. Se houver muitos
vasos, poderá ser feita logo após a missa, com o auxílio do acólito
(cf. IRS 119).
Avisos e comunicações
167. A oração depois da Comunhão, que se segue ao silêncio,
constitui
propriamente a conclusão do rito de Comunhão. Somente após
sua recitação podem ser feitos os avisos e comunicações breves
ao povo.
Livros litúrgicos
168. Na celebração da missa, sacramentos e sacramentais, utilizem-
se
sempre os livros litúrgicos atualizados e aprovados: Missal Romano,
Lecionário Dominical, Semanal e Santoral, Ritual de Exéquias,
Ritual de Ordenações etc. Jamais usar folhetos, livretos ou tablets
no altar, o que empobrece e desvaloriza o sinal celebrativo.
O espaço sagrado
169. A missa deve ser celebrada num lugar sagrado, a não ser que a
necessidade exija outra forma (IRS 108).
170. Sobre o altar, para a Eucaristia, estejam o missal, o cálice, a
patena
e as âmbulas. Permitem-se velas e flores naturais (que também
podem estar dispostas ao lado, em pedestais); os dons e símbolos,
trazidos no ofertório ou em outros momentos, não devem ser deixados
sobre o altar, mas numa mesa à parte, ou diante do altar,
no chão.
Os vasos sagrados
171. Os cálices, âmbulas e patenas deverão ser prateados ou
dourados,
evitando-se o vidro, cristal ou barro, por sua fragilidade,
porosidade
ou pouca relevância. As galhetas, igualmente, sejam dignas do
culto (cf. IRS 117).
Saudações e orações
172. O presidente da celebração deve dizer “O Senhor esteja
convosco”
e não “conosco”. Assim também na bênção final. Também o
diácono, ao proclamar o Evangelho e despedir o povo.
173. As orações da coleta, oferendas, pós-Comunhão, a doxologia “Por
Cristo, com Cristo...” e a oração pela paz, são exclusivas do
presidente
e não do povo todo.
174. Avisos, convites, homenagens e testemunhos de vida: é
preferível
que sejam realizados fora da missa. A Missa nunca deve ser “em
homenagem” a alguém, que não seja Deus, somente.
Idioma
175. Para o bem dos fiéis, é importante que a missa seja celebrada
na língua própria do lugar, segundo a norma universal da Igre37
ja. Atente-se ao artigo 1º do Motu Proprio Traditionis Custodes,
que normatiza os livros aprovados, ao dizer, “os livros litúrgicos
promulgados pelos santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em
conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única
expressão da lex orandi do Rito Romano. Para exceções, quanto
ao uso do rito, devem-se observar as prescrições do Motu Proprio.
Traditionis Custodes.
176. “Quando a missa é concelebrada por mais sacerdotes, ao rezar a
oração eucarística, usa-se a língua conhecida por todos os
sacerdotes
ou pelo povo reunido” (IRS 113).
Ministros extraordinários da sagrada Comunhão
177. A denominação correta é ministro extraordinário da santa
(sagrada)
Comunhão. Não são corretas as denominações: “ministro
especial da santa Comunhão” ou “ministro extraordinário da
Eucaristia”
ou “ministro especial da Eucaristia” (IRS 156).
178. São fiéis leigos, delegados pelo bispo diocesano, ad actum ou
ad
tempus (IRS, 155).
179. Não podem usar túnica, mas uma veste que expresse o serviço
ministerial.
180. Condições para ser ministro extraordinário da santa Comunhão:
a. Dar testemunho de amor à Eucaristia e ser pessoa de comunhão;
b. Ter recebido os sacramentos da iniciação cristã;
c. Ser disponível para servir, não apenas na celebração da missa,
mas também fora dela;
d. Ser humilde e obediente às orientações da Igreja;
e. Se solteiro(a), que tenha um comportamento respeitoso e
maturidade suficiente para assumir este serviço;
f. Ter, pelo menos, 20 anos completos.
Equipe de celebração
181. Haja sempre uma equipe de celebração, aberta à participação de
um número maior e mais variável de pessoas, que se revezam na
animação das missas. O presbítero participará,o mais possível, da
preparação com esta equipe, orientando, incentivando e formando
os fiéis.
182. Cabe ao animador ou “comentarista”, antes da missa, motivar a
assembléia e dispor os corações de modo amável, sucinto e sóbrio.
Porém, ele não deve tomar o lugar do presidente da celebração,
a quem cabe conduzir a assembleia celebrativa.
183. Cabe à equipe, com suas ideias, presença e serviço, ajudar a
assembleia
a vivenciar o verdadeiro encontro comunitário com o
Pai, por Cristo vivo, no Espírito Santo, manifestado nas orações e
no canto, em gestos e posições do corpo, no ritmo, na dança e nos
instrumentos musicais, para se chegar a uma celebração inculturada,
significativa e mistagógica.
Música litúrgica e pastoral
184. Que as missas aos domingos sejam solenes e com cantos
litúrgicos,
para suscitar a participação viva e frutuosa de todos, expressão
da vida cotidiana, imersa no mistério de Cristo e da Igreja.
185. A música e o canto correspondam ao espírito do tempo litúrgico,
da celebração litúrgica e ao momento da celebração, levando ainda
em consideração a cultura e a realidade do povo que celebra,
pois expressam, de modo eminente, a natureza própria da ação
sacramental da Igreja.
186. Que se cantem hinos que atendam aos critérios da música
litúrgica,
e não porque pertencem a este ou àquele movimento ou
grupo.
187. As letras dos cantos tenham inspiração bíblica e menos
sentimentos
individuais, pois devem expressar a natureza comunitária da
liturgia e o mistério celebrado.
188. Seja dada preferência aos cantos que fazem parte do rito,
juntamente
com os cantos que acompanham o rito (cf. Estudos da
CNBB, nº. 79, A música na liturgia, pp. 122 a 144). Lembrar sempre:
“cantar a liturgia e não, cantar na liturgia”.
189. Os cantos de entrada, preparação das oferendas e Comunhão devem
cessar assim que terminar o correspondente rito.
a. Deve-se priorizar sempre cantando: o salmo responsorial, o
Aleluia, as aclamações das orações eucarísticas e o santo, pois
fazem parte do rito.
b. O salmo responsorial não pode ser substituído por outro canto
e deve ser o salmo do dia. Evitem-se melodias difíceis, que
o povo não consegue repetir. O refrão do Salmo deve ser cantado
pela assembleia.
190. Cabe ao dirigente do canto ou ao comentarista, igualmente de
modo breve, anunciar e convidar o povo a cantar.
191. Na saudação da paz, preferencialmente, não haja canto.
Cumprimentem-
se somente os que estão ao lado.
192. Durante a oração eucarística, as aclamações podem ser cantadas,
sempre conforme os textos do Missal Romano. Não são permitidos
outros cantos, mesmo de adoração.
193. O cantor sacro ou litúrgico está a serviço da liturgia da
assembleia.
Por isso, não lhe basta cantar sozinho; é necessário envolver e
levar a assembleia a participar do canto. Evite-se fazer do canto
liturgico,
um espetaculo de grupo ou solo, que o povo apenas ouve.
194. O cantor litúrgico e o coral exercem um ministério dentro da
celebração.
Ao entoarem os cantos devem ficar em local apropriado,
que manifeste sua participação como assembleia, e onde possam
exercer seu ministério.
195. Os corais não devem substituir o cantar do povo da assembleia;
mas, sim, integrar-se, cantando junto, ou intercalando os cantos
com o povo, nos diversos momentos litúrgicos.
196. Os instrumentos e os cantos serão tanto mais litúrgicos e
evangelizadores,
quanto mais mirem os fiéis e ao sentido da função
litúrgica, e na proporção em que auxiliarem a viver e a expressar
o mistério que se celebra (cf. SC, 116).
A conservação da santíssima Eucaristia e seu culto fora da missa
197. “Após a missa, as espécies sagradas sejam conservadas,
sobretudo
para que os fiéis, e de modo particular os doentes e os anciãos
que não puderem estar presentes na missa, se unam, mediante
a Comunhão sacramental, a Cristo e ao seu sacrifício, imolado e
oferecido na missa” (IRS 129).
198. O sacrário é o lugar da reserva eucarística e para o culto
eucarístico
fora da Missa. Recomenda-se que o sacrário, na medida do
possível, seja colocado numa capela separada da nave central da
igreja, sobretudo naquelas igrejas onde há, com frequência,
casamentos
ou funerais, ou naquelas que são frequentadas por muita
gente por causa dos tesouros artísticos e históricos.
199. Sobre a profanação da Eucaristia. A reserva eucarística seja
devidamente
custodiada em tabernáculo inamovível evitando-se a
profanação (cf. cân.938 CIC). Quem faz a profanação incorre em
excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica (cf. cân.
1382 CIC).
Exposição do Santíssimo Sacramento
200. Não é permitido celebrar a missa diante do Santíssimo
Sacramento
exposto. Se a exposição do Santíssimo Sacramento se prolongar
por um ou mais dias seguidos, ela deve ser interrompida durante
a celebração da missa, a não ser que a celebração seja realizada
numa capela separada do local da exposição.
201. No rito da exposição podem ser feitas leituras da Sagrada
Escritura
com uma homilia ou breves exortações. As respostas à palavra
de Deus sejam cantadas. Será oportuno que haja momentos de
silêncio, que favoreçam uma profunda oração pessoal. O Tantum
ergo pode ser substituído por outro canto eucarístico. No final da
exposição será dada a benção com o Santíssimo Sacramento.
As procissões eucarísticas
202. Quanto as procissões eucarísticas, “testemunhos públicos de fé
e
devoção a este sacramento”, compete ao ordinário do lugar julgar
também a respeito de sua conveniência nas condições do mundo
moderno” (IRS, 59).
203. Durante a celebração eucarística não se permitem a exposição do
Santíssimo e “procissões” eucarísticas; essas, se for o caso, devem
acontecer após o término da missa e fora dela.